Foi e é articulista de várias revistas nacionais da área de
cultura e estilo, como Vogue, Cidade Jardim, e revista Oscar.Em 2007, tinha um
site voltado para cultura, estilo de vida, comportamento e laser.
Com uma carreira sólida dentro do jornalismo Cesar concebeu uma
entrevista, onde falou sobre o jornalismo cultural, confira:
O que te
levou a trabalhar com jornalismo cultural?
Cesar: Na verdade foi coincidência, eu estava no jornal da tarde,
comecei como estagiário, era repórter da geral, ai eu fui ser copy (é uma coisa
que não existe mais), o copy desk era um
jornalista que fazia o fechamento, então os repórteres traziam as matérias que
eram editadas na página e a gente tinha que por a matéria no tamanho, então
tinha que cortar, as vezes tinha que reescrever por o repórter não era tão bom
de texto ou fazia uns erros, a gente tinha que consertar tudo aquilo e dar
titulo, olho, legenda...fechava e descia, essa era uma figura que não existe
mais, hoje em dia o repórter já é o fechador né? Naquela época não era e ainda
passava por uma revisão, tinha três estágios. Eu sempre tive ligação com artes,
eu sou filho de colecionador e começaram a me pedir matérias, eu tava no copy
da internacional e me pediam matéria sobre arte para o departamento de
variedades, um belo dia me chamaram pra ser copy da variedades e lá eu fiquei
14 anos ou coisa do gênero, fui editor, pauteiro, e ai com esse tempo todo além
de me familiarizar com o assunto eu me familiarizei com o universo, então eu era
amigos de todos os atores, dos diretores de teatro, a turma da música, dos
maestros, dai veio essa minha convivência com o mundo cultural.
O que
influenciou e influencia na sua vida? Teve alguma melhora desde que você
começou a ter um contato maior o com a arte, ou não? Como você disse já veio de
pequeno né.
Cesar: pois é, isso é uma coisa que ta intrínseca na minha vida eu
sempre tive essa convivência, eu era criança e a minha mãe colocava musica
clássica pra gente ouvir e contava uma historia em cima daquela musica e nós
éramos crianças quatro, cinco anos e depois era
engraçado por que os desenhos animados de quando eu era criança o fundo musical
era sempre de musica clássica, então depois a gente ia nos consertos e escutava
as musicas e eu e o meu irmão a gente reconhecia "a olha lá o pica
pau" e a gente já tinha aquele ouvido e o meu pai começou a comprar arte e
antiguidades e a gente era muito criança e já convivia com isso sempre e então
eu passei o resto da minha vida gostando de teatro, de música erudita, de
música popular...enfim
Quando você começou e hoje em dia.
Ocorreu alguma mudança na cultura?
Cesar: não... Quando eu era
moço, no meio da ditadura a gente teve um momento cultural tão importante no
Brasil que eu não acho que ele tenha sido superado, entre os ano 60,70 toda a
criação foi tão rica, tudo que a gente via no teatro, a música popular era
muito importante, a música erudita, enfim. Cresceu de tamanho, mas por que o
Brasil cresceu de tamanho, não evoluiu em qualidade não, eu não acho.
Você passou por vários veículos e vários tipos de mídia
diferentes, como rádio, TV e jornal impresso. Qual a diferença de falar de
cultura de uma mídia pra outra? Tem diferença na linguagem?
Cesar: eu acho que é
a mesma linguagem. Claro, quando você escreve você consegue ser um pouco mais
analítico eu acho, você pode parar e pensar no que você vai dizer, pensar
naquela frase direito, é diferente de você pegar um microfone no radio e sair
falando sobre um espetáculo que você viu no dia anterior, é uma coisa muito
mais coloquial, mas superficial, exatamente por que você não tem esse tempo de
reflexão.
Como funciona a escrita em uma coluna social?
Cesar: Olha, você
pode ser sofisticado no escrever, mas sempre a coluna social ta dentro de um
jornal e a linguagem de um jornal tem sempre que ser clara e fácil por que não
tem outro jeito de fazer jornal, eu trabalhei com jornal diário quase a minha
vida inteira, por mais de 40 anos.
Então como colunista social nos dias de hoje, é difícil falar
sobre cultura?
Cesar: Não, não
deveria ser não, acho até que deveria ser obrigatório, por que é um canal de
muita leitura, então é onde realmente você pode orientar, sabe? Aconselhar,
“vai ver isso, vai ver aquilo” e o leitor é muito receptivo.
Como você definiria o jornalismo cultural?
Cesar: Eu diria que
dentro de uma redação – as pessoas não gostam muito disso- mas a gente que é do
meio cultural acha que é a nata de uma redação, é onde estão as cabeças mais
pensantes e mais sensíveis e onde às vezes tem os melhores textos, eu acho que
é uma coisa natural, por que quem faz jornalismo cultural, já é um jornalista
com tendências pra escrever, ou pra ser poeta, ou pra ser músico, ou seja já
tem alguma inclinação pra um ramo da cultura. Então eu acho que o jornalismo
cultural é nata de uma redação, claro que tem exceções tem jornalistas
brilhantes de economia, de politica... as grandes colunistas de politica
nacionais a Dora Kramer, a Eliane, tem um texto incompreensível, o texto delas
é maravilhoso.
O senhor acha que ocorre algum preconceito por parte dos
outros jornalistas pelo fato de escrever uma coluna social?
Cesar: a com certeza,
a imprensa não gosta, a imprensa em geral não gosta. Eles consideram um
trabalho menor..acham que não tem consistência, substância, acham que é
superficial, mas com certeza tem. Quer dizer você tem que ser muito bacana e
ficar a cima disso e mostrar que você não ta fazendo só colunismo social que
você ta fazendo crônicas da cidade, crônicas de comportamento pra te
respeitarem, se não, não te levam a sério.
Como foi escrever uma página diária por tanto tempo? Tinha
assunto sempre pra escrever?
Cesar: Assunto nunca
faltava, pelo contrário sobrava, é claro que tinha uma equipe que me ajudava,
mas a gente nunca ficava estressado com a falta de noticia, é claro que a
primeira semana que eu assumi aquela coluna eu tinha uma pagina em branco todo
dia e não tinha anuncio ainda, e depois teve uma época que eu tive que brigar
com anunciante se não eu não tinha pagina mais, mas no começo não tinha, era
uma pagina livre todo dia, então eu fiquei meio estressado, mas depois eu
percebi que aquilo fluía normalmente.
A critica/crônica sempre lutam por um lugar no jornal, mas
elas só entram quando sobra espaço.... Como você lidava com isso?
Cesar: Bom, eu tinha
um espaço dado, eu podia fazer o que eu quisesse com aquele espaço se eu
quisesse fazer critica e crônica naquele dia eu podia, agora claro que o espaço
da critica cultural num jornal é diminuto, por que um jornal ele vai sempre dar
preferencia para a noticia, se tem, por exemplo, a estreia do Caetano amanhã e
tem a critica da orquestra que foi ontem e não vai se repetir o que você da?
Você da a estreia do Caetano, então eu acho que a analise e a critica vão ser
sempre preteridas em matéria de espaço.
Porque você suspendeu seu site?
Cesar: estou
transformando num blog, por depois de tantos anos eu não quero mais ter um
compromisso com a noticia, com o dia a dia, com o que ta acontecendo, eu não
quero mais noticiar, eu só quero escrever o que eu quiser, parecendo um diário...
saber, vai ser um diário, quem tiver curiosidade de ler o que eu to pensando
vai estar lá, como eu ponho no facebook o mesmo texto, eu já tenho um leitor
cativo ali e vou pegar o residual dos leitores do meu site.
Quais pontos devem ser levados em consideração na hora de
opinar sobre algum artista, obra, exposição?
Cesar: eu acho que a
primeira coisa é a emoção, eu acho que a primeira coisa é sempre o impacto
emocional que você teve ao ver aquilo, quer dizer se a coisa te pegou ela é boa
por alguma coisa, vamos analisar o que é que te emocionou daquele jeito e se
você ficar la assim, como aquela cara daquele jeito, olhando pro relógio toda
hora é por que alguma coisa ta errada, ai você vai analisar o por que aquilo
tava errado, por que não te chamou a atenção, não te emocionou, ai a cabeça
começa a ir buscar a razão.
O senhor sofreu censura em algum momento de sua carreira?
Cesar: Não, no
estadão nunca... Não, eu não lembro de nada que pode ter sido assim... alguma
vez mas assim, foram coisas que eram idiossincrasias do Estadão, de coisas por
exemplo, tinha gente que as vezes não podia falar por que tava brigado com
alguém, sabe? Alguém tinha se indisposto com alguém, então a gente era
solicitado a não mencionar tal pessoa e tinha uma época que tinha palavras
proibidas lá no Estadão, mas era por causa de
duplo sentidos e coisas do gênero...eles se irritavam quando eu fazia
editoriais de politica ai vinha um recadinho assim “lembre-se que editoriais
são na página 2, não na coluna social”, ta bom... ai eu ficava uma semana sem
fazer isso e depois fazia de novo, quer dizer, eu sempre tive uma relação tão
boa com o Estadão de convívio, de respeito pelo meu trabalho, que eu nunca tive
problemas.
O senhor escreve para todas as classes
sociais? Se não, qual classe desejaria alcançar?
Cesar: Olha, na verdade quando você escreve uma coluna social, você
acha que você esta se dirigindo a um leitor de coluna social, você não sabe
exatamente como ele é por que pode ser a milionária, mas pode ser a secretaria
da milionária também e isso me surpreende porque acontece muito, mas agora...
quando você faz televisão ai você não sabe realmente pra quem é, eu fiz dois
anos de tv cultura, eu tinha um programa semanal de uma hora, super bacana
sobre São Paulo, super variado e a gente apresentava vários aspectos da cidade
e no fim tinha sempre uma entrevista. A TV Cultura a principio é uma tv
elitista, e você sempre acha que é criança ou adulto que vê TV Cultura, por que
ou tem programa infantil ou tem programa mais pesadão e tal, mas eu ficava por
exemplo, nas viradas culturais eu saia pela madrugada o tanto de adolescente
que chegava perto de mim e falava “ai o seu programa é super legal” e gente de
periferia que eu não imaginava, mas depois é obvio né, quem não tem o cable,
tem muito menos opção de zapping né? Então acaba caindo na TV Cultura com muito
mais frequência do que quem tem aqueles 100 canais de televisão e ai eu percebi
que a minha linguagem, que era sofisticada, por que era um programa super
sofisticado, super bem feito, com uma edição de imagem super bacana e tudo, é
uma coisa que me surpreendeu pra caramba, é uma coisa que você atira e não sabe
onde vai cair .
O senhor acha que hoje em dia existem
muitos jornalistas culturais opinativos? Ou prevalecem os informativos?
Cesar: Olha, tem muita gente que escreve muito bem, eu leio a Folha,
o Estado, não leio muito os jornais do Rio, mas tem jornalistas muito
preparados pra escrever sobre arte, sobre musica, sobre cinema, sobre teatro,
sobre literatura, tem gente muito boa, em geral.. as vezes eles são jornalistas
que se interessaram por um assunto e desenvolveram uma especialidade, num é
gente que foi estudar isso pra depois escrever, isso você encontra na
universidade, então as vezes o jornal publica textos de professores de áreas
especificas, sobre um assunto especifico, mas os jornalistas que se
especializaram em cinema, que nem o Merten e o Zanin Oricchio lá do Estadão,
que escrevem sobre cinema... escrevem esplendidamente bem, sobre isso e sem ter
feito uma faculdade de cinema sem ter estudado nada. Eles por exemplo, os dois
que eu citei.. quando eles cobrem Canes por exemplo ou um festival em Berlim,
eles fazem a matéria informativa, sobre o que ta acontecendo, a entrevista que
eles fizeram e depois num box eles fazem a critica do filme que eles viram,
você não pode ser opinativo na matéria, isso continua proibitivo na imprensa
quando você informa, você informa, você
no pode ter lado, quando você é critico... ai é uma critica separada, num box
separado, ai você da a sua opinião.
Quanto
tempo do seu dia é dedicado a redes sociais?
Cesar: Olha, hoje em dia muito... por que se você tem twitter,
facebook, instagram e mais o e-mail você passa horas no computador, organizando
aquilo, limpando, respondendo, é muito tempo.
Você acha
que ficou mais fácil atingir mais pessoas, depois que surgiram as redes sócias?
Cesar: Com certeza é, agora criaram tanto canais de comunicação que
agora pra você manter a sua comunicação com as pessoas, você tem que olhar
aonde estão te requisitando, então tem e-mail que você tem que responder, tem o
facebook que te perguntaram alguma coisa lá e você tem que responder, no
twitter você tem que olha pra ver se você não esta sendo citado e você perde
muito tempo, eu preferia que fosse um canal só o e-mail só pra comunicação e o
resto só pra diversão mas infelizmente as pessoas já estão fazendo interlocução
através de outros canais e tem mensagem de telefone também, mas essa eu acho
mais rápida, você resolve mais rápido.
Cada
jornalista tem seu estilo próprio na hora da escrita, o que sempre predomina
nos seus textos?
Cesar: Eu percebo que quando eu faço televisão o meu texto é muito
cumprido, o meu período é muito longo, então pra mim mesmo é complicado na hora
do teleprompter eu tenho que estudar aquele texto, por que eu tenho que fazer
uma pontuação automática pra poder respirar, então eu acho que o meu texto tem
os períodos longos, é uma característica do meu texto, não é uma coisa assim...
de tudo em frases pequenas.
Quando
você vai falar a opinião de cultura, na TV Gazeta, o que você leva em
consideração pra falar naquele dia, sobre que assunto, se saiu agora ou se é
uma coisa do passado?
Cesar: Na verdade como é muito pouco tempo, é mais informativo do que
opinativo, mas eu acho que quando você faz uma seleção, você já esta sendo
orientativo pelo menos, não é emitir uma opinião mas você esta deixando de lado
um monte de coisa que você acha que não vale a pena, então já é um funil, já é
uma seleção.Na verdade é o que interessa a mim, eu boto uma coisa pessoal, o
que eu to achando relevante naquela semana pra falar.
O jornalismo
é informativo, mas as criticas são baseadas em algo que você viu e sentiu,
então não é uma coisa muito técnica, tipo “a Dilma foi eleita”
Cesar: então, mas eu acho que quando você vai formar a sua opinião
sobre o que você viu, quanto mais informação você tiver sobre aquilo, você vai
estar mais embasado, mas preparado para ter uma opinião, o jornalista vai te
preparar pra isso, ele vai contar tudo que esta acontecendo ou aconteceu nos
bastidores, como nasceu aquela ideia, como foi adaptado aquele texto, no que o
compositor se inspirou pra fazer aquela canção , por que ele mudou de gênero do
ultimo show pra esse, ai você vai informado e analisa a volta que ele deu, a
mudança a partir do ultimo disco pra esse ou que mudança sonora aconteceu, ou
ele manteve o mesmo texto teatral da ultima vez, você vai muito mais preparado
pra ter uma opinião, além do gostei ou não gostei, então eu acho que a
informação cultural é muito importante. Tem que ter dados técnicos, pra você
querendo ou não ter uma base. E depois, se o jornalista for dar alguma opinião,
ai sim tem que dizer por que é bom ou por que é ruim. Não basta o dizer se
gostou ou não por que se não fica muito subjetivo.
Espero vocês no próximo post, sobre a minha viagem e sobre a festa típica de Garça, chamada cerejeira. beijinhos, até logo.